quinta-feira, 9 de novembro de 2017

NÃO SE TRATA DE RACISMO






                                              

PERSONAGENS:

                             SEU MERDA: Homem negro .

                         WILLIAN WAACK: Ancora  de um grande telejornal, durante uma transmissão.



SEU M. - (Dentro do carro, buzinando durante um congestionamento.) BÍ! BÍ! BÍ!

W. W. - Tá buzinando porque, seu merda!

SEU M. - BÍ! BÍ! BÍ!

W. W. - Não vou nem falar porque eu sei quem é.

SEU M. - BÍ! BÍ! BÍ!

W. W. - É preto! Só pode ser coisa de preto (Risos).



                                     NÃO SE TRATA DE RACISMO!

A quebra do meu silêncio programático, se dá, basicamente, por conta dessa hipocrisia midiática, sensacionalista e superficial dessa nossa pseudo-contemporaneidade. Refiro-me ao mais novo episódio envolvendo um notável global, o renomado, soberbo e arrogante Willian Waack.
Em um vídeo vazado  e compartilhado (por ex funcionários da própria emissora) com um grupo de Whatsapp, aparece o pseudo-jornalista fazendo referências de cunho preconceituoso por ser um suposto negro que estaria a buzinar de maneira insistente durante a sua apresentação jornalística.
Não poderia ter um fundo de tela mais propício para ser feito tal comentário... A Casa Branca.


Sinceramente, não comove-me essa repercussão viral que se faz por conta do fatídico episódio de ato preconceituoso. O que me espanta, estarrece, é que a discussão central sobre a problemática da INFERIORIZAÇÃO DO OUTRO ATRAVÉS DA IDEIA DE RAÇA (isso por conta da quantidade e intensidade de melanina que cada indivíduo possui) é abordada. O que está em jogo em meio a essa questão não é, ao meu ver, o ponto central do processo histórico de formação do país, tendo sido erguido e até hoje sustentado pelos braços dos filhos e netos dos enormes e assombrosos Navios Negreiros. O espetáculo montado encima do "vazamento," na verdade, é para discutir quais as consequências que irá sofrer o inabalável ainda apresentador do programa 'cult' Painel.

Os comentários feitos por esse sujeito engravatado na frente das câmeras e dos holofotes não reflete o pensamento de um único indivíduo, mas sim, a equivocada ideia incutida de forma doutrinária de que o outro é inferior por conta da sua negritude. NÃO TRATA-SE DE RACISMO! Trata-se de preconceito enraizado e desferido demasiadamente a um grupo de seres historicamente tidos como de menor estatura dentro da pirâmide do social...
O grupo que representa as engrenagens de sustentação do motor da usura, da soberba, da luxuria e do capital. A discussão, ao meu entender, não deveria ganhar contornos de personificação (não importa a personalidade que profere tal insulto), o debate deveria ser feito no cerne, no âmago, no núcleo, no centro, no ponto fulcral da sensível questão, que é e por muito continuará sendo, a invenção maquiavélica de perpetuar uma ideia de segregação de uma parcela da humanidade em detrimento dos seus megalomaníacos caprichos; os denominados sub grupos, sub classes, os pobres, os miseráveis, em especial "os negros."

O apresentador Willian Waack, é mais um, assim como eu, você e qualquer outro que é desde o berço catequizado para distinguir, de pronto, quem dá ordens e quem de imediato tem que cumprir. As falas lamentáveis do Willian, são os reflexos das ilustrações dos livros de história que compõe o arcabouço das bibliotecas e salas de aula das escolas públicas da nossa colônia, sempre repaginada.  Essas falas lamentáveis, infelizmente, é um pequeno recorte da gigantesca fotografia da nossa distorção social. O "É COISA DE PRETO" nos leva para um lugar de profunda reflexão de como enxergamos o outro e  quais aspectos vamos escolher para diminuí-lo.  Por mais que eu tenha algumas rusgas com o tal apresentador, não pela pessoa (que não conheço) mas, pela forma prepotente e forçada que conduz o seu programa semanal na manipuladora Globo News.

Se formos problematizar a fundo a fala do tal jornalista, com certeza iriamos chegar no DNA do RH das Organizações que contratou o mesmo. Willian Waack, nada mais é, que um produto do aglomerado de comunicações que monopoliza e manipula a rotina já não tão sadia da massa social. Não vou adentrar nos problemas internos dos grandes veículos de comunicação, mas, gostaria de chamar a atenção para aqueles que se iludem, acreditando que a emissora está tomando essas medidas contra o seu estimado funcionário de carreira por ser a Princesa Isabel das tele comunicações, muito pelo contrário: basta só observarmos dentro do seu quadro de funcionários quem são os atores principais (celebridades) e quem são seus coadjuvantes  (figurantes contratados e bem remunerados).

Tempos estranhos!

"É até compreensível " esse alvoroço em torno dessa temática complexa que é a historicidade segregacionista dos povos de pele escura sendo reverberada pela boca de uma figura conhecida do mundo jornalístico... já que estamos presenciando interdições em museus, apreensão de obras de arte, cancelamento de apresentações artísticas, juiz cancelando shows, eventos artísticos. Os analfabetos políticos que se dizem informados do que está acontecendo no país, reduzem os discursos entre quem é de direita ou de esquerda, coxinhas e mortadelas, lulopetismo ou a organização criminosa  que atravessa a ponte para assegurar o seu próprio futuro. Em tempos de extremismos plurais e generalizados, o real teor do debate se perde, é deixado de lado para dar lugar a um discurso raso, frágil e cheio de paixões. Na esfera do conhecimento e da sabedoria as divergências de ideias não podem, jamais, servirem para dividir, separar. As discordâncias são necessárias para uma constante depuração do debate do animal humano em meio ao convívio social como um todo.

NÃO SE TRATA DE RACISMO! É inadmissível, que no auge dos "avanços" do século XXI, possamos, se quer, aceitar e corroborar com a ideia de raça. Quando se fala a palavra RACISMO, logo, entende-se que há um conflito entre raças. Sendo assim, cria-se automaticamente uma ideologia equivocada de que um determinado grupo pode classificar o outro segundo as suas próprias convicções e interesses (o que de fato aconteceu)... Com tudo, acredito que a repetição demasiada da "IDEIA DE RAÇA", só faz contribuir para legitimar a perpetuação desse grande equívoco histórico.
Prefiro renomear o racismo para: A GRANDE IDEIA DA CULTURA DOMINANTE, À ÉPOCA.

Obs: De acordo com a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial das Organização das Nações Unidas (ONU), não há distinção entre os termos "discriminação racial" e "discriminação étnica", sendo que a superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, além de não haver justificação para a discriminação racial, em teoria ou na prática, em qualquer lugar do mundo.

Se querem discutir o racismo, primeiro falem do concreto quadro social dos lugares em que você habita. Se querem discutir o racismo, falem de como é adquirido e distribuído o sagrado capital e quem o acumula. Se querem discutir o racismo, olhem a sua volta, por onde quer que você andar e se pergunte porque? Se querem discutir o racismo, falem das programações dominantes das telenovelas, dos tele programas e dos telejornais. Se querem mesmo discutir o racismo, observem quem são a maioria dos vendedores ambulantes (informais), quem são os motoristas dos coletivos, quem são os faxineiros públicos, quem são os flanelinhas, os pedintes, os operadores dos caixas de supermercados, os repositores de seção, os garçons, os padeiros, os pedreiros, os frentistas, os ascensoristas dos elevadores nos edifícios, quem são os médicos doutores e quem são as guerreiras enfermeiras, os lavadores de carro, os taxistas, os que lotam os presídios, os que desabitam as escolas, os que sobrecarregam as emergências, os que habitam as comunidades (os quilombos da contemporaneidade), os que não moram na zona sul, os que ganham um salário (mínimo), as empregadas domesticas (secretarias do lar), os carregadores de caminhão, os de baixa escolaridade,, os que não ocupam o congresso, os não formadores de opinião, os quase nunca representados,os "marginais."

Na real, o quanto de Willian Waack temos dentro de nós, nas nossas mais inconscientes ações? Não se pode tratar essa problemática como forma de culpar o outro pela histórica falta de conhecimento da sua ancestralidade. NÃO SE TRATA DE RACISMO! Trata-se muito mais de uma acentuada falta de sensibilidade  no que concerne o reconhecimento de que vivemos em uma colônia de apenas um pouco mais de 500 anos, cujo o seu processo de construção foi pautado pela exploração dos minerais e dos braços robustos e torneados dos "pretos primitivos do vizinho continente". Sem falar que o brasil foi um dos últimos (se não o último) países a "extirpar" (de maneira formal e simbólica) o lucrativo negócio que era vender mucambos em praça pública como se fosse uma dúzia de bananas. Obvio que sabemos que esse é um processo árduo, paulatino, homeopático, gradativo, porém, tem que ser radicalmente constante, diário, permanente, programático (como o meu silêncio).

Provavelmente eu devo ter me estendido no processo de elaboração das ideias. Peço desculpas, mas, o tema abordado é de uma singeleza singular e, por isso, merece uma atenção especial. O negro será sempre uma questão a ser discutida dentro do espectro histórico e cultural. Abrindo um profundo debate sobre as consequências da arrogância, soberba, prepotência e falta de conhecimento da forma como vivem outros grupos distantes... Que por sua vez, são idênticos à nós em todo o aspecto biológico e completamente diferentes na forma comportamental. A RAÇA É A MESMA, O QUE MUDA (e que bom que muda) É A MANEIRA QUE NOS COMPORTAMOS. NÃO SE TRATA DE RACISMO! TRATA-SE DE IGNORÂNCIA, MESMO!

Geferson P.


Links relacionados:
http://veja.abril.com.br/entretenimento/racismo-e-crime-e-pode-dar-pena-de-ate-quatro-anos-de-prisao/

http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/comite-brasileiro-de-direitos-humanos-e-politica-externa/ConvIntElimTodForDiscRac.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conven%C3%A7%C3%A3o_internacional_sobre_a_elimina%C3%A7%C3%A3o_de_todas_as_formas_de_discrimina%C3%A7%C3%A3o_racial




































quarta-feira, 13 de setembro de 2017

IRMA! E OS IRMÃOS?

Desastre Natural em Freetown (Serra Leoa).

Desastre Natural na Flórida (Estados Unidos).



IRMA! E OS IRMÃOS?

Observando as fotografias expostas acima, percebe-se o porque que se dá mais ênfase ao Furacão Irma, sendo que, as chuvas torrenciais que devastaram diversas COMUNIDADES do país  africano de Serra Leoa, passaram quase que despercebidas. O número de mortos já passam de 400 (quatrocentos) e não param de crescer... a estimativa é de que existam mais de 600 (seiscentos) desaparecidos em meio ao lodo do deslisamento.
Não quero aqui adentrar em questões mais profundas, chegando até serem antropológicas, sobre o descaso para com a morte e o desabrigo de milhares, e o escândalo, o espanto, a espetacularização com a morte e o desabrigo de alguns. Lembrando que, não são as vidas que estão em questão aqui nessa publicação, mais sim, um chamamento para uma auto reflexão sobre o peso de uma vida em detrimento do descaso com a outra.

Geferson P.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/12/internacional/1505233864_038111.html

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/12/internacional/1505233864_038111.html


sexta-feira, 26 de maio de 2017


                                 $ INCONSTITUINTE $


Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

- A radicalidade do meu silêncio rompe-se bruscamente diante dos últimos "surubáticos acontecimentos envolvendo o político, o social e o econômico. Gostaria de partir de um princípio (para mim) básico, que seria convidar essa galera tanto da situação como da oposição, para que antes de qualquer discurso ideológico, apaixonado e partidário reflitam, nem que seja um pouco, superficialmente, sobre a história do país e suas seculares peculiaridades. Lamentavelmente, diante da correria do dia à dia não nos damos conta da matrix que conduz integralmente seus passos, seus contratos, seus acessos, seus contatos. Sendo assim, mais uma engrenagem dentre tantas outras que compõem o gigantesco maquinário sistemático que, de uma forma ou de outa, nos conduz.

Eu, acompanhando as grandes manchetes dos midiáticos e pirotécnicos noticiários, ouço os pseudos-especialistas, pseudos-economistas, pseudos-cientistas políticos, os pseudos- jornalistas, frutos de uma monopolizada rede de comunicação. Mesmo com todos os termos técnicos, oratórias sofisticadas, termos vernaculares, enfim... em meio a todos os obséquios e  data vênias que são massivamente usados para ludibriar uma grande massa de “ignorantes,” analfabetos funcionais. E ninguém, se quer, se pergunta: Mais e aí... o que vamos fazer dessa Colônia recente, prematura? Qual seria o projeto de construção de um Ambiente Sustentável, menos desigual, mais distributivo e mais humano? Como seria o pensamento progressivo para uma conexão do indivíduo para com ele mesmo e para com  o meio ao qual está inserido?
Diante de tamanha incongruência popular surgem diversos questionamentos no sentido de que: o que fazer nos 80 anos de média de vida que “achamos” que temos (e temos). “Achamos,” porque ao fim e ao cabo, não detemos ou melhor... detemos o poder individual da vida mas... não somos capazes de assumir o controle do programado ser que nos tornamos. Mesmo envolto aos nossos achismos, casuísmos, altruísmos e outros diversos ísmos que queiram adicionar... ainda assim, não serão capazes de dar conta de um ambiente  colonizado, capitaneado, explorado, escravizado, catequizado, miscigenado, oligopolizado, patriarcado, mal educado, mal saneado, inseguro, polarizado e essencialmente corrupto. É preciso um diálogo aberto, amplo e que tenha como base fundamental as estruturas e os processos que contribuíram para formar esse lugar aparentemente confuso que tornou-se o nosso habitat da pseudo-contenporaneidade.  

Se tivéssemos o pequeno cuidado de verificar os caminhos que nos conduziram até aqui, iríamos perceber que, o que vemos hoje e chamamos de novos acontecimentos, na verdade, não passam de práticas seculares, hierarquizadas e extremamente estruturadas, de um sistema que foi criado para o total favorecimento de quem os controlam. Essas práticas, juntamente com a ideia de superioridade, povoam os continentes e implantam o seu monocrático e autoritário modo de ver o mundo aos que não colocam a “suposta civilidade” acima da natural humanização dos indivíduos. Os processos históricos são fundamentais para pautar qualquer debate sobre a condição do homem no seu complexo e fugaz ciclo evolutivo... Até porque, não se pode interpretar as leis que nos rege sem ao menos conhecer o que levou a criação das mesmas e quem as criou... os legisladores não podem ser considerados Moiséis.

Lamentavelmente, enquanto não nos reconhecermos “animais evoluídos,” iremos sempre incorrer no erro de elaborar leis para indivíduos que não existem, a não ser, na ideia arrogante e fantasiosa elaborada por essa raça “superior, civilizada, letrada, branca e cristã.” Desde já, reconheço o tamanho da dificuldade de nos darmos conta desse mundo real, pois, os objetos coloridos e cheios de efeitos especiais, sem falar nos pixels luminosos, na exacerbada quantidade de tempo gasto para a aquisição do capital, não nos deixam se quer, um misero segundo para auto-reflexão, para cuidarmos de nós para nós mesmos. Tenho consciência de que será preciso um longo processo de maturação das ações humanas, e que só depois de passar por catastróficos acontecimentos e de criarmos os meios para nossa própria extinção, talvez... quem sabe... possamos vislumbrar ao longe, um projeto de animais humanos assumidos e conscientes da sua complexa e vulnerável condição.


Geferson P.

sábado, 25 de março de 2017


             

                  <<DESIGUALDADES DE UM CÁRCERE>>

Só tem uma coisa em que eu concordo com com a decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura do STJ (Superior Tribunal de Justiça): 

"E é o fato da magistrada aceitar os argumentos da necessidade da ex-primeira-dama retornar à própria casa para cuidar dos filhos de 11 e 14 anos."

A QUESTÃO COLOCADA É: PORQUE SÓ ADRIANA ANCELMO?

A mesma autorizou na noite desta sexta-feira (24) conceder prisão domiciliar para Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Presa desde dezembro do ano passado em Bangu 8, a ex-primeira-dama do Estado é ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

E olha que nem vou adentrar no âmbito político que envolve esse decisão.

Só queria fazer um registro de como é perverso e desumano o sistema ao qual estamos submetidos. Não espanto-me! Mas, como um cidadão (mesmo cético) acho-me no dever de ao menos informar o que já se é sabido e notado na labuta do dia à dia.
LAMENTÁVEL!

Vou deixar logo abaixo alguns links que se correlacionam ao assunto acima abordado.

MANIFESTEM-SE!

Mães do Cárcere - Parte 1
Mães do Cárcere - Parte 2


Conexão Repórter - Íntegra do programa Mães do Cárcere
ITTC - Instituto Terra Trabalho e Cidadania
Projeto da Defensoria Pública de São Paulo
Matéria completa da decisão da ministra do STJ.









quarta-feira, 22 de março de 2017

SANTA IGNORÂNCIA


Desde a infância nutri-me das letras, e, por haver persuadido de que por meio delas se podia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia um imenso desejo de aprendê-las.

Mas, logo que terminei todos esses anos de estudos (ao cabo dos quais se costuma ser recebido na classe dos doutos), mudei inteiramente de opinião.

Achava-me com tantas dúvidas e indecisões, que me parecia não ter obtido outro proveito, ao procurar instruir-me, senão o de ter revelado cada vez mais a minha ignorância.

Fiquei convencido de que somente é possível conhecer com a devida profundidade um arco muito limitado de saberes 

(Descartes; 1978, p. 213).

TERCEIRIZAÇÃO


Câmara pode votar projeto que libera terceirização para atividade-fim

A Câmara dos Deputados pode votar hoje (21) o Projeto de Lei (PL) 4.302/1998 que libera a terceirização das contratações para todas as atividades de uma empresa. O texto é o único item da pauta dessa terça-feira. Como já foi votada no Senado, caso a proposta seja aprovada pela Câmara, será encaminhada para sanção presidencial.
A terceirização permite que uma empresa transfira parte de suas atividades para outra empresa intermediária. Pelo projeto, as empresas poderão terceirizar também a chamada atividade-fim, aquela para a qual determinada empresa foi criada. A medida prevê que a contratação terceirizada seja feita sem restrições, inclusive na administração pública.
Atualmente a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) veda a terceirização da atividade-fim e prevê que a adoção da prática em serviços que se enquadrarem como atividade-meio, ou seja, aqueles trabalhos que não estão diretamente ligados ao objetivo principal da empresa.
O projeto que será apreciado pelo plenário da Câmara também modifica o tempo permitido para a contratação em regime temporário dos atuais três meses para 180 dias, “consecutivos ou não, autorizada a prorrogação por até 90 dias, consecutivos ou não, quando comprovada a manutenção das condições que o ensejaram”, diz o projeto.
Decorrido esse prazo, o trabalhador só poderá ser contratado novamente pela mesma empresa após 90 dias do término do contrato anterior. O texto estabelece ainda a chamada responsabilidade subsidiária da empresa contratante em relação aos funcionários terceirizados.
A medida faz com que a empresa contratante seja “subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer o trabalho temporário e em relação ao recolhimento das contribuições previdenciárias”, diz o texto.
Polêmica
O relator do projeto, Laercio Oliveira (SD-SE), defendeu a terceirização para as atividades-fim com o argumento de que as empresas poderão contratar de “forma correta”. “Eventual diferenciação entre atividade-fim e atividade-meio mostra-se um empecilho, pois as empresas da atualidade trabalham em redes de produção e, por isso, precisam contratar de tudo”, disse.
Para o deputado, o texto vai incentivar contratações ao modernizar as regras trabalhistas e criar uma lei específica sobre terceirizações. "Essa proposta não é a solução definitiva para o desemprego, mas é um facilitador porque traz segurança jurídica. Hoje quase sempre as consequências de contratos malfeitos recaem sobre o trabalhador terceirizado", disse.
Originalmente, o projeto foi encaminhado à Câmara em 1998 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aprovado no Senado em 2002. Deputados contrários ao projeto criticaram votação da proposta 15 anos depois. “Há aspectos lá que não foram negociados por nós, parlamentares, e que representam um duro golpe em direitos conquistados pelos trabalhadores”, disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS).
Para ela, a medida retira direitos dos trabalhadores e beneficia o empregador, podendo levar à redução dos salários e à precarização dos postos de trabalho. “É jogar o setor de serviços numa responsabilidade com o direito do trabalhador e da trabalhadora. Em seguida, eles vêm com a reforma da Previdência em que a pessoa, para se aposentar com benefício integral, terá que apresentar 49 anos de contribuição. Mas eu me pergunto, como fazer isso se estão jogando todo mundo na terceirização?”, disse.
Contrária à terceirização, Maria do Rosário disse que o mais coerente seria debater proposta semelhante que está em tramitação no Senado. “O curso natural de um debate como esse [da terceirização] foi o acordo trabalhado para debater lá no Senado, onde o texto foi, pelo menos, conversado com movimentos e centrais sindicais. Agora querem ressuscitar esse verdadeiro fantasma que todos esses anos não foi votado e está sendo passado a força para todos nós votarmos”, disse.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

'UMA HUMANIDADE QUE SE PREZE?'

‘UMA HUMANIDADE QUE SE PREZE’

Uma humanidade que se preze?
Pode até chamar pelo santo
que não pague com seu pranto
o destino que não merece.

Uma humanidade que se preze?
Venera os deuses
invocando-os enumeras vezes
até que a fé se manifeste.

Uma humanidade que se preze?
Deve ser composta de diversas gente
que mesmo sendo diferente
não há um que ela renegue.

Uma humanidade que se preze?
Deve ser democrática e rígida
mesmo no âmbito da política
o respeito é o que  rege.

Uma humanidade que se preze?
Volta- se para o social
distribui a renda deforma igual
porque pobreza não lhe engrandece.

Uma humanidade que se preze?
Deve ser pragmática e diluída
pode até pagar com a vida
mas não aceita o que acontece. 





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

'PROVIDÊNCIA SOCIAL'






PEC 287/16

Não sei se estão se dando conta

podem até me dar uma bronca
mas já tô ficando puto, indignado,
com essa lamentável situação.
Poderia me utilizar da retórica
para dizer em versos e prosa
que estão atacando de maneira indecorosa
sua aposentadoria, querido irmão.

Você trabalhador, braçal, brasileiro
vindo de todos os estados,
do Acre ao interior mineiro
que do suor faz a tinta mesmo que
a pobreza não permita redigir os inventários.
Entre escravaturas, e abolições, correntes e grilhões
 tornamo-nos, ainda hoje, meros retardatários.
Em face da perversa guerra do capital
para o proletariado urbano ou rural
estende-se a Lei dos sexagenários

Sessenta e cinco menos quarenta e nove,
segundo meus cálculos, dezesseis.
agora, lhe pergunto, na lata,
sem nenhuma graça ou ressalva,
o que foi que a grande massa fez
para merecer tamanha maldade?
A vida e o clima nos nordestes
são mais difíceis e eu sei,
chega a ser crueldade.
Entre café preto, arroz e feijão
querem que eu acredite no jargão
de que hoje o dito peão,
morre com mais idade.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

27-04-1985




          27-04-1985



 “A precocidade  da minha existência reflete a minha à temporalidade. Não acredito, que a vida tenha como resumo esses acontecimentos  cotidianos grotescos... Muito menos,  que ela se atenha aos nascimentos e mortes que fazem da mesma, uma simbiótica e enigmática metamorfose.
É obvio que, diante das anormalidades existências, não se pode generalizar uma espécie de indivíduos que apenas sobrevivem em meio ao caos... Não por opção, é claro! Mas sim, por uma imposição histórica, verticalmente hierarquizada.  Essas criaturas desconhecidas, frustradas e enlouquecidas. Humanas... demasiadamente humanas! Acreditei sempre não fazer parte desse processo fictício de normalidade social. Meus sinais de comunicação não transmitem, de maneira entendível , às minhas urgências e lamentações. Se esse de fato é um mundo de expiação, expiarei... expiarei a decomposição dos dogmas, das normas, das leis, das regras, das aparências, dos bens matérias, do capital, dos pré-conceitos... dos humanos.

Um dia, quem sabe, um dia.
Um dia, talvez, o ceticismo que invade-me possa transformar-me em um cadáver insignificante, improdutivo, infértil. Perdi a fé no HUMANO! Perdi a fé nos DEUSES! perdi a fé na NATURALIDADE!
O ANIMAL HUMANO, com suas firulas contemporâneas perdeu-se, à muito, no caminho de si mesmo. Não quero ser Humano, quero ser Animal!
Humanidade é um entendimento de convivência animalesca, instintiva, predatória, destrutiva.  
Eu, particularmente, tenho uma certa admiração pelos HUMANOS. Fico extremamente encantado, por perceber  que eles são extremamente apegados a ideia de futuro e esperança, e delas não abrem mão. Contudo, dando uma certa credibilidade a crença desses indivíduos, não ousarei, por mais cético que possa ser, descartar a ideia (vã) de que um dia a esperança trará a materialidade de um futuro.” Geferson P.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

MANIFESTO!



Que puta disputa! Quer poder? Vai te foder!
Rir, pode rir... ria com vontade... seus... seus... bando de assassinos do futuro.
Nós, os chamados por vocês de ignorantes, estamos cada vez mais sem comida, sem saúde, sem segurança, sem educação, sem tempo, sem vida, sem porra nenhuma!
E vocês aí, como uns saqueadores da esperança dessas crianças, “pobres crianças.” Heiiii!!! Seus miseráveis delinquentes, até quando vão alimentar esse discurso satânico travestido de demagogia e proselitismos baratos, falsos, medíocres, insustentáveis? Até quando vão nos transmitir essa Matrix sensacionalista... até quando vamos ter que brincar desses Jogos Vorazes? Heim? Respondam! Seus sadomasoquistas espirituais, seus loucos tidos como normais.
É preciso pagar as contas, é preciso trabalhar no que não quer, é preciso comprar roupa nas festas, é preciso viajar. É preciso ser sempre feliz, é preciso sempre gostar, é preciso ter o aparelho da moda, é preciso ter dinheiro para gastar. É preciso se falar o tempo todo nas redes, é preciso se conectar... é preciso... é preciso tanta coisa.
É preciso tanta coisa e vocês aí brincando de fazer política, brincando de Estado Democrático de Direito, nos empurrando goela abaixo essa ditadura fascista maquiada de democracia.

Desce, desce dos morros meu povo... desce dos morros, das comunidades, das periferias, dos becos, das vielas, das palafitas, dos subúrbios, dos nordestes, das matas amazônicas, das encostas... do submundo, e mostra a esses cú como é que se faz. Tá de sacanagem!
Porra! Quer esculhambar, tudo bem! Agora, disfarça pow. Tá, tudo bem, eu aceito a minha condição de escravo, de negro, mau educado, discriminado, inferiorizado, sem passado... agora, na moral... Me paga melhor. Olha só, posso trabalhar mais de doze horas por dia para você, mas, só se os nossos filhos tiverem uma educação de qualidade... universal. Podem continuar desviando BILHÕES, mas, na boa... A massa não tem vaga, não tem médico, não tem remédio, não tem atendimento básico de saúde. Não precisa acabar com as novelas, reality shows, nem com as cessões das tardes... Mas, cá pra nós, sabemos que não é só isso, não é?

Já acordo com a sensação de desespero, como um câncer maligno que vai corroendo... que caralho de mundo é esse em que vivemos? E não me venha de blá, blá, blá, não viu? Tá ouvindo? Nem venha! Haaa! Porra nenhuma, rapaz!
Estamos brincando de viver! Estamos vivendo de brincar de vida.  Como não falar na Colonização, como não falar no monopólio que há séculos vem usurpando o sangue, o suor, os suspiros de existência. Como não falar na escravização desse rebanho de cor, que deseducados, desiludidos, perpetuam inconscientes as mesmas práticas dos seus algozes. Eu, particularmente, acredito que essa raça a qual eu faço parte está fadada ao caos, a destruição, a aniquilação.

Louco? Sou louco mesmo! Desse manicômio eu resisto em tomar o meu Gardenal. Quer colocar em mim a camisa de força, não é? Vem, pode por em mim um dos seus objetos de tortura. Eu não preciso de analistas que não se analisam, de médicos que só medicam, de juízes que só condenam nem de deuses que só cobram... ‘e como cobram R$!’
Está posto no composto do disposto o interposto que sobreposto, posto que, de pagar imposto, continuo indisposto.
Vai se ferrar! Vem pra cá com essa história de democracia racial, distribuição de renda, políticas de ações afirmativas, ovos de páscoa, papai noel, peru de natal. Peru de natal é a cabeça do! Hum... aí, aí, viu. Vai se arrombar! Com seus livros didáticos, repleto de textos verborrágicos europocidentalmente inventados, que mecaniza, robotiza e imobiliza esse primitivo indivíduo do seu maior direito, o direito a sua própria dignidade como ser vivo, humano. Suas bactérias vestidas de terno, seus terroristas do saber. Parece que nesse inferno, dessa selva de pedra desgraçada que  somos obrigados a compartilhar está tudo normal. 

Como? Se fala muito em Mortes, política, assaltos, consumo, sequestros, impeachment, tráfico, Lava-jato, maconha, aquecimento global, tiro de fuzil,desvio de verba pública, bala perdida, redução da idade penal, microcefalia, atentados terroristas, bolsa de valores, filmes produzidos em hollywood, estética, moda, padrão de beleza, iphone, Facebbok, aplicativos, manifestações, futebol, baladas, religiões, eleições... se fala em tantas coisas importantes para uns e nem tão importantes para outros, só não se fala muito no que é interesse de todos, ou da manada esmagadora do proletariado (pra quem é chegado ao Marx). Filhos de uma puta! Com todo respeito aos filhos e as putas. Enquanto eu viver, vou tirar cada pedaço que me é de direito. Vou fazer o que for para arrancar-lhes as entranhas do seu capital. Cuidado com os Robin Hood(s) dos guetos, cuidado para não tomarmos de assalto o asfalto e dele fazer um palco acabando de vez com seu show-mício. Seus abutres do sofrimento alheio!

Será possível que dos nossos 80 anos de existência não vamos viver nenhum? A vontade que dá é de entrar em estado profundo de depressão. É triste, é deprimente, é lamentável, é agonizante... é lastimável. Aí vem aqueles idiotas com os mesmos discursos medíocres: não, não pode ser assim, nós temos que ter força, perseverança, ter fé que o dia de amanhã vai ser melhor. Hôôô... seu...infeliz, amanhã é um caralho! O amanhã não existe! Não existe porque ainda não aconteceu. Como pode conviver com a falsa ideia de futuro se despreza o único momento que tem... que é o presente.
Está faltando alguma coisa... há... Foda-se! Era isso. Fodam-se todos vocês seus manipuladores de nós, marionetes. Outra coisa: não me interessa se os acentos não estão no lugar, se a sintaxe não está corretamente aplicada, deixem os meus erros de ortografia se perderem na orgia dessa língua culta, que é cheia de caozada e hipocrisia. 

Geferson P

domingo, 12 de abril de 2015

"UM VÔMITO MARGINAL"




Marginalizar o que por si só marginaliza-se. Como pode? Como expurgar o câncer que há em mim? Como transcrever o chicote que me mutila todos os dias... uff. Difícil.
Marginal não é aquele que está à margem. "Marginal é aquele que não marginaliza-se"; marginal é aquele que se coloca como margem, é aquele que não se coloca em meio... e o que está ao seu redor passa a não ser a sua vida, mas sim, simplesmente o que está a sua volta
Todos os dias quando acordo deixando(Renato Russo-Legião Urbana) um pouco de lado, me deparo com uma sensação não tão aceitável. Dou de cara com uma angústia que me atormenta, e olha que me atormenta pra caramba! Não é que eu seja um ser depressivo, melancólico, deprimido ou qualquer tipo de adjetivo que lhe convir atribuir-me.
Se trata simplesmente, de um olhar de ti para os outros e dos outros para ti. Costumo dizer, para talvez encurtar o discurso, já que discursar é o que de fato nós só o fazemos, que poderíamos partir do seguinte princípio: existem três perguntas fundamentais e universais que todos, de fato todos, os seres ditos humanos compartilham independente das suas vontades. Essas três perguntas é a única coisa que nos torna iguais. Iguais não no sentido literal da palavra, iguais no sentido de que somos compostos dos mesmos elementos que compõem e constroem, decompõem e destroem, tudo o que de fato existe. De onde nós viemos? Ta bom, tudo bem, vamos considerar que existem várias teorias sobre essa questão, o bom de falar em questão é que o X da questão encontra-se sobre os fundamentos de várias teorias, de seres que vieram do mesmo lugar. Que verdades são essas? Absolutas? Que (DEUSES) são esses? Talvez, no fundo no fundo, seja essa falta de respostas interiormente inquietante é que mova toda essa engrenagem que denominamos humanidade. Quem delegou tal poder a um igual, para tornar desigual o seu semelhante? O que te torna Diferente dos demais indivíduos existentes? Por mais aguçada que seja a sua intelectualidade, existem questões que, se formos ligeiramente sensatos, chegaremos a um acordo que de fato, não temos respostas concretas para responde-las.
Quem somos nós? Respondam como quiserem! Cada um que fale de si... porém, é nós.
Os indivíduos habituaram-se a ilusória consciência de que possui direito sobre o outro, como se o outro não fosse indivíduo e sim, outro tipo de ser: outra espécie. Enfim. Ai se torna romantismo! Deixo esse ofício para os grandes romancistas.
A pergunta que não que calar é: Como eles conseguiram aprisionar tantas pessoas sem grades? Como eles mantem esse sistema de "exorcismo da natureza humana"? Cerceando instintos, Condenando à solitária os primitivos sentimentos do ser; apenas do ser, não ouso o definir.
Utopia? De fato a utopia hoje pairou no ar; "contaminou."
Mas afinal o que seria do ser sem as suas utopias? Cada vez mais acredito na frase em que diz: "As palavras, comovem... e os exemplos, arrastam." 
Para onde nós vamos? Não sei! Com certeza Iremos para um bom lugar, o inferno é sempre para os outros. O ser "humano" é tão genial, que criou imagens e/ou gravuras para representar o iluminado e o sombrio dele mesmo; céu, inferno, deuses e demônios. 
Radicalismo? Idealismo? Fundamentalismo? Como quiser. Gosto do pessimismo. O otimismo, pra quem quiser. 
enfim... 
"O grande barato é tentar conviver conformadamente com a ideia de que existem homens superiores e homens inferiores; sem se quer questionar o que ou quem lhe conferiu tal superioridade.
Há! sei lá! Essa porra me consome até o fim, nesse momento a minha coroa está orando por mim. É assim? demorou! Já é! Roubaram a minha alma, mais não levaram a minha fé. Fé! Rs.
Geferson P.

sábado, 11 de abril de 2015

"NADA PARA ESCREVER".



Com o corpo cansado e a mente latente, não penso em nada para escrever.
O pensar em nada já me basta, pois as próximas linhas surgirão do nada que nascer.
Como assim não penso em nada para escrever?
Que besteira. O intelecto humano é um sábio que não para de trabalhar.
Mesmo divagando nas informações, jamais reprime o seu desejo de criar.

Escrever é uma arte a qual eu não tenho intimidade. Junto palavras simples conexas sem nenhuma conexão. Na tentativa de escrever para os outros, sem ao menos preocupar-me com a real ideia... acabo entrando em contradição.
Escrever! Escrevo o que eu quiser. Sem muito bla, bla, bla, sem muito mi, mi, mi. Se penso, logo escrevo. Escrevo e pronto!
Porque que tem que formar frases longas e de efeito? Por que que tem que ser segundo a NORMA CULTA DA LÍNGUA um escritor perfeito? A norma culta pode ser da língua, mas, a escrita tem que ser do sujeito.

Liberdade para transcrever o que quer, do jeito que souber, é indispensável para qualquer ser.
A opressão da normatividade do indivíduo os torna vulneráveis. Não podemos errar um acento, uma virgula, nenhuma letra pode estar fora do lugar. Já que os donos do saber logo iram taxar-nos de ignorantes, incapazes. Isso tudo não passa de preciosismo furreca de um grupo de "consideráveis leitores" metidos a bestas. Pseudo-intelectuais.
Descartam os escritos daqueles que não tiveram a oportunidade de "serem ensinados" (ENTRE ASPAS), para fecharem-se no seu mundinho medíocre, de repetirem demasiadamente o que sempre disseram, os afirmando como  os discursos ideais.

Para quem disse que não tinha nada para escrever, até que escrevi bastante. Como é gostoso escrever o que está pensando sem se preocupar com o que os outros estão achando. Falo do que eu quiser, goste quem gostar... e não vou corrigir. Na minha opinião está super correto, pontos e vírgulas não mudam a minha opinião. Foda-se, se os pingos estão fora dos ii. Se o acento circunflexo não está flexionando o verbo que adjetiva o provérbio substanciando o artigo que é extremamente agudo e não deixa de lado a crase mesmo de olho no pronome independente se ele é oblíquo não me venha com reticências porque o seu til ultimamente está uma barra porque não se pode usar colchetes nesse  ponto parágrafo.
É isso! Não consigo pensar em nada para escrever.

Geferson P.





sexta-feira, 10 de abril de 2015

O QUÂO PEQUENOS SOMOS.




Gostaria que todos pudessem enxergar a terra do alto, de fora dela. Para percebemos o quanto somos insignificantes diante do tamanho do universo. A proporção do tamanho, é relativo a distância que você está do objeto. Um elefante para tirar uma pequena pedra que está no seu caminho só basta um sopro, para nós, pode ser removida com o simples gesto de chutá-la, já a formiga não pode dizer o mesmo, pois o que está à sua frente é uma montanha irremovível. Usei esse chulo exemplo para que possamos ter a dimensão do quão pequenos nós somos.

Se os pássaros que alçam voos altíssimos pudessem descrever-nos, diriam que todos nós somos do tamanho deles... e que a única diferença é que ele só voa e nós só andamos.  Ele também diria que para ele era difícil entender como conseguimos nos movimentar, em meio a uma multidão de pássaros andantes, já que na sua cidade tem espaço de sobra. A única coisa que às vezes o incomoda são os enormes pássaros de metal quando passam... são muito barulhentos. Usei esse chulo exemplo para que possamos ter a dimensão do quão pequenos somos.

O nosso Super Ego, de mãos dadas com o nosso Alter Ego, não nos permite que percebamos a nossa pequenez, nos transformando nos "Super-Homens". Que pena. Uma pena porque, se nós reconhecêssemos  o nosso pequeno estado, valorizaríamos o grande feito. Nós somos tão fortes, que perdemos tudo com uma rajada de vento. Nós somos tão fortes, que tudo é completamente arrastado com uma grande onda. Nós somos tão fortes, que tudo desaba quando as placas deslocam-se centímetros do lugar. "Nós somos tão grandes", que não conseguimos nos enxergar. Usei esse chulo exemplo para que possamos ter a dimensão do quão pequenos somos.

Somos tão poderosos, que o sol não pode, em hipótese alguma, mover-se de lugar. Fiquem tranquilos, não falarei dos meteoros, muito menos dos asteroides. Se supõem que exterminaram os dinossauros... vou deixa-los imaginando o que seria de nós? Olhei do alto e vi um carnaval de pequeninos animais, andando de um lado para o outro em meio a uma selva de pedra, lugar que a natureza não cabe mais. Casas, prédios, templos, automóveis, asfaltos, arranha-céu. Tudo isso mostra o tamanho da nossa pequena grandeza, tudo isso mostra o quanto a nossa grandeza é pequena. Usei esse chulo exemplo para que possamos ter a dimensão do quão pequenos somos.

Observamos a imensidão da areia, sem perceber que é o resultado do aglomerado de pequeninos grãos. Olhamos para imensidão do mar, e não nos damos conta do conjunto de microscópicas partículas aquáticas. Olhamos para nós mesmos e nos enxergamos seres superiores, racionais. Rs... Somos tolos! Não passamos de uma orquestra d'água, regidos por uma partitura de células funcionais.

Geferson P.



quinta-feira, 9 de abril de 2015

SE.



Se é o meu sonho que vocês querem. Estou aqui! Venham pegar.
Se é um sorriso sincero que vocês esperam. Tudo bem! Mas não vão encontrar.
Se desejam a verdade... a minha verdade. É uma pena! Não vou falar.
Se querem saber o que eu penso. Escutem! Não leiam o que escrevo... ultimamente só faço delirar.
Se acredito no amor? Não! A hipocrisia divorciou-se de mim... acabou de me deixar.
Se a solidão é triste? Sim! Para quem se entristece logo após ao acordar.

Se a dor é real? Não sei! A realidade não costuma doer... se de fato for real.
Se o destino existe? Talvez! Predestinados todos nós já nascemos... mesmo que num mundo surreal.
Se o mundo é um bom lugar? Sim! Infelizmente o estragamos... ao tentar habitar.
Se existe vida fora da terra? Mas é claro! Quem somos nós... para sozinhos desse universo se apossar?
Se o homem é um ser inteligente? Não creio! Não seria inteligencia... construir bombas para se matar.

Se a morte é o fim? Quem saberá? O início nem sempre é o começo... o final, pode servir para transformar.
Se a felicidade é estar sempre sorrindo? Um! Cuidado. A alegria nem sempre pode-se enganar.
Se a amizade é algo que se constrói? Concordo! Não construímos colunas com o intuito de desabar.
Se com o dinheiro se compra de tudo? Melhor não responder! Só se compra o que está à venda. Não coloquei em mim etiqueta de preço... só não posso responder por você.

Geferson P.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

MAR PROFUNDO.


Numa noite escura e em completa solidão, arrepia-me o corpo, sigo sentindo freneticamente a pulsação. Me perco num mar de sonhos solitários, mergulhando no abismo infinito que sufoca o ar dos meus pulmões.
Uma vastidão de criaturas reluzentes encontro em meio ao negro profundo.
Num caminho sem volta, perdido no afogante labirinto espero o meu último suspiro, desse corpo, que submerge em meio as negras devastações.

Sinto o frio percorrer por toda minh'alma, experimento estranhas sensações ao qual jamais ousaria imaginar sentir... Uma forte correnteza, carregando consigo as lagrimas da minha tristeza, não permite-me voltar.
Cada vez mais fundo, ao norte, único trajeto, sem perspectiva de encontrar uma saída, sei que nesse mar profundo jamais me encontrarão...Não relutarei para voltar, não tentarei mudar o destino, mesmo sabendo que posso  arrepender-me amargamente...
Não implorarei para que encontrem-me, não tenho força contra esse implacável mar.

Prometo que um dia ressurgirei, da cabeça aos pés encharcado, porém, jamais me sacarei...
Não permitirei que escorram as gotas d'água do meu corpo, não poderia deixar de transpirar...
No pacífico oceano, indico velejar. No atlântico azul, o ártico lá está.
O meu corpo vagueia, tendo como guia o cruzeiro do sul.
Ofuscado ás vezes pelas luzes dos faróis nos portos mil.
Pescadores ao longe jogam suas redes de arrasto, a espera de um cardume ao puxar.
Se espantam com o tamanho dos navios, que como um titanic faz meu corpo afundar.

Geferson P.  

terça-feira, 7 de abril de 2015

"PERGUNTAS SEM RESPOSTAS"



De onde viemos? Quem somos nós? Para onde vamos?
Há se eu soubesse! O que me conforta é que nem os "seres mais excepcionais" desvendaram esse mistérios. Do que mais precisamos, para entendermos que a única coisa que temos somos nós mesmos. A passagem é breve meus caros... as sincronizadas batidas do nosso coração tem um limite para cessarem. Não irei recorrer a respostas filosóficas para tentar explicar o que é tão fácil  e totalmente explicável. Surgimos aqui! Não importa como. Surgimos. Surgimos qui! Desenvolvemos aqui! Morreremos aqui! Quanta bobagem, quanto egoísmo da nossa parte. Somos espírito. Somos animais. Somos animais espiritualizados ou espiritualizados animais... e daí? Não importa!

Brigamos por terra, brigamos por comida, brigamos por água, brigamos por dinheiro, brigamos por religião, brigamos por pensarmos diferente, brigamos por sermos iguais, brigamos até por time de futebol, brigamos por nos acharmos melhor, brigamos... apenas brigamos. Deus, se é que ele existe... como poderíamos crer que somos seus filhos?  Que contradição. Se eu tivesse o poder de criar seres humanos para habitar o meu mundo, não criaria-os para destruí-lo. Se tivesse o poder de fazê-los a minha imagem e semelhança, o lugar ao qual eles se instalassem seria um ambiente de paz, amor, prosperidade e de pura harmonia. Um mundo utópico? Talvez.

Perdemos tanto tempo em um espaço de tempo tão curto. Ultimamente aprendi criticamente a comparar, e num emaranhado de comparações, comparei o mundo com uma criança, um bebe, um recém-nascido. Imaginei uma criança logo quando acabara de sair do ventre protetor da sua genitora... "uma criança virgem dos sentidos exteriores (mundanos)". Naquele instante ela passa a fazer parte de um outro universo exterior (a vida como ela é), e então começa a aprender novas formas, novos gestos, novos sons, novos métodos e novas manias. É claro que não sou um médico pediatra, nem um especialista em psicologia infantil, apenas quero chamar a atenção para o simples fato: se a criança torna-se adulta por conta das influências que recebe... temos que nos perguntar urgentemente quais as influências que outrora recebemos, para  nos tornarmos os adultos desequilibrados que hoje somos?

Procriamos demasiadamente como ratos, sedentos por prazer. Desejamos o melhor para os nossos filhos e nos esquecemos que o amanhã está prestes a não ter água pra beber. Criamos o hábito de pensarmos exageradamente no futuro, deixando o presente a merce. Qual é a real herança que as crianças crescidas vão herdar? O mundo está tornando-se inabitável porém, ele sempre existirá. O que ainda falta para percebermos que o tempo está de pressa a passar? E que o que chamamos de vida é só uma fração de segundos, diante da eternidade que está a nos aguardar. Esse indecifrável sopro que impulsiona a vida parece não fazer mais sentido. Como gados conduzidos para o abatedouro caminhamos todos, por esse vasto trajeto de martírio indolor. Com alegorias coloridas pelo caminho, no intuito de distraí-los durante a caminhada para esquecerdes o momento de terror.

Alguns dizem que o universo conspira ao nosso favor, ao menos uma coisa a nosso favor tem que conspirar. Que bom que o conspirador é o universo, pois na sua perfeição podemos nos inspirar.
Outros dizem que a vida é bela, talvez seja na hora da novela, que eles tendem a exclamar. Bela a vida pode até ser, o problema é que não a vemos passar. Cético? Será?                                                
Gritamos por liberdade como se ela estivesse não dentro de nós mas, em outro lugar. Clamamos por justiça como se os outros tivessem a obrigação de exerce-la, para que nós não tenhamos que nos culpar. Sonhamos todos com a paz, como se os sonhos se tornassem realidade, todas as vezes que acabamos de acordar.

Geferson P.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

QUEM? QUEM? QUEM?


Quem vai ligar? "Um corpo qualquer estirado no chão", um tiro de fuzil, pistola, bala de borracha, canhão. Quem vai ligar? Mais um negrinho, um molequinho, um estudante, uma dona de casa, um senhor, um vapor. Quem vai ligar? Pra seu Zé, dona Maria, seu Joaquim, pra Miguel, pra Amarildo, pra Claudia e pra seu Manoel? Quem vai ligar? Pra bala perdida, tiroteio entre marginais e polícia, invasão de comunidades, abusos de autoridades, bárbaras execuções, pra casas invadidas sem mandado de buscas e apreensões? Quem vai ligar? Pro toque de recolher, Pra crianças correndo nas ruas, pro terror nas comunidades, para as estreitas vielas das maldades, pro sobe e desce do morro, pra agonia do povo, pro seu grito de socorro?

Quem irá nos proteger? Tu, nós, eu e você? Quem irá nos proteger? Os programas sociais, as cotas raciais, as reportagens banais, a política, a justiça, os tribunais? Quem irá nos proteger? Dos ajustes fiscais, dos aumentos surreais, da escassez dos reservatórios, dos desvios de verbas, da desigualdade social, do preconceito, do capitalismo vorás, do totalitarismo burgues, da cultura ocidental, da globalização e dos tormentos que ainda está pra acontecer?

Quem poderá resistir? A essa selva de pedra, a essa vida perversa, a esse ar poluído, a esses rios impuros, a esse trânsito caótico? Quem irá resistir? A essa vida banal, a esse trabalho brutal, a esse cotidiano medíocre, a esses ídolos insignificantes, a esses falsos representantes, a essa banalidade da vida? Quem irá resistir? A esse filme real de terror, a esses gritos de socorro, a esse silêncio desesperador, a essas ideias prontas, a essa desvalorização das amizades, a esses amores que deixaram de existir?

O que podemos fazer? Para aliviar a dor, para que possamos sorrir, para não julgar os outros, para descobrir o real valor,  para sermos quem de fato somos, para realizar os sonhos, para reaprendermos a amar? O que podemos fazer? Para curar as feridas, para resgatar as almas perdidas, para mantermos os animais nas florestas, para que um sorriso seja motivo de uma festa, para brincarmos feito crianças, para vivermos em paz? O que podemos fazer? Para tirar o peso da consciência, para aproveitarmos a juventude, aproveitarmos a mocidade, aproveitarmos a velhice, para tornarmo-nos inocentes, para sermos prudentes, para não nos enganarmos mais, para podermos viver?

Quem pode nos salvar? Jesus, Buda, Muhammad, Oxalá, São jorge, os Monges, o Islã, o orixá?
Quem poderá nos salvar? Brasília, os partidos políticos, a teologia da prosperidade, o dízimo, ir ao padre confessar?
Quem poderá nos salvar?  As redes sociais, os iphones atuais, o aumento do salário, o crédito bancário, o seu nome nas revistas e jornais.
Quem poderá nos salvar? O noticiário da tv, seu carro importado, as polegadas do seu aparelho televisor, o seu poder aquisitivo, "o quanto você paga pelo amor", o seu sapato novo, a sua bolsa da moda, o seu mais novo computador?
Quem poderá nos salvar? Eu, tu, ele? Nós, vós, eles? 
Quem poderá nos salvar? A sua maquiagem, os mls do seu silicone, a sua falsa identidade ou o caixão que na sua morte levará?

Geferson P.